Tropical – Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro – 11 de Fevereiro

Pedro Varela- convite tropical MAM Rio

Cartografia de um mundo imaginário

Desde 2011, Pedro Varela vem explorando uma nova fase em sua produção, que é definitivamente o que se apresenta nesta exposição. São pinturas em acrílica cujo mote advém do conceito de natureza-morta, que discutirei mais à frente. O curioso é colocar esse “novo” em questão. O trabalho de Varela constitui-se em uma coerência que cada vez mais seacentua. Mesmo sendo pinturas, a instância do desenho e de sua delicadeza mais sutil – características de fases de outrora – estão presentes. É uma pintura que se alimenta do desenho, e vice-versa. O pincel em determinados momentos vira uma ponta-seca, tal a precisão e a suavidade com que essas ornamentações são criadas. Varela abdica do caráter projetual que o desenho poderia ter, para incluí-lo, experimentá-lo e condensá-lo à pintura. Uma suposta autonomia que eles – pintura e desenho – poderiam ter é desmascarada por essa confluência que a obra de Varela emprega. Por outro lado, a aquosidade do acrílico empregada pelo artista reordena aquilo que poderíamos chamar de erro, isto é, o transbordamento da tinta não é algo fortuito; pelo contrário, as marcas, texturas e manchas tecem uma ambientação que reforça a ideia de essa natureza estar flutuando. Esse dado etéreo, construindo um jogo de sombras e volumes que denota essa suspensão da matéria, e o fato de Varela retirar os objetos de sua banalidade e seu prosaísmo encontram ressonâncias nas influências assumidas do artista: Archimboldo, Eckhout e Guignard. Este último, ainda mais, por conta do desempenhoproblematizador do seu trabalho na concepção da chamada pintura de paisagem, e em especial por seu gosto pelo caprichoso e pelo decorativo.

A natureza-morta é algo que se confunde com a própria história da arte, e com a ideia de moderno, se nos detivermos ao exemplo de Cézanne. Contudo, na obra de Varela, o “modelo tradicional” de natureza-morta é substituído por uma vegetação que habita uma zona fronteiriça entre fantasia e realidade. Perguntamo-nos se essas plantas existem.Provavelmente não, mas existe uma chance de não existirem. Elas poderiam existir, talvez, a léguas e léguas no fundo do mar, e portanto nunca teríamos certeza da existência delas. Varela nos apresenta, pouco a pouco, a cartografia de um mundo imaginário, como se em algum momento e de alguma forma ele pudesse existir, acabando por se conectarcom as “fabulações produzidas pelo mundo real”, tais como a literatura (fantástica, passando por Júlio Verne) ou o cinema (os filmes de ficção científica ou os chamados “filmes de aventura”). Essa contradição – da aparição da forma – é explorada pela própria dificuldade histórica em se encontrar o pigmento azul.

Suas naturezas-mortas variam entre um estereótipo (psicodélico) da tropicalidade e o kitsch. A chamada pintura de paisagem, assim como o desenvolvimento da natureza-morta e do retrato na história da arte brasileira entre os séculos XVII e XIX, possui um caráter de construção de uma identidade e de um lugar que não necessariamente correspondiam à realidade, mas que criaram e sustentaram por muito tempo uma série de mitos e alegorias sobre o que deveria ser o Brasil. Como acentua Barbara Berlowicz sobre a obra de Eckhout: “O escravo negro com sua espada majestosa, a arma preciosa do mestiço e, sobretudo, a mulher canibal Tapuia segurando restos de um corpo humano estão em tão perfeita consonância com a visão e o esquema preconcebidos do mundo não europeu, que se mostrariam falsos se submetidos a um exame acurado.”1 É um exemplo de o quanto o estereótipo a respeito da nossa (suposta) identidade é documentado/sustentado há muito tempo. Uma identidade que se confunde com a ideia de tropicalidade, que, por sua vez, varia da sua aparição entre o mito da malandragem e do gingado aos tecidos kitsch de mesa de bar e cortina. E é nesse último exemplo, aliando-se a um dado jocoso, de uma fina perversidade, de contrapor ao desejo do que se espera a respeito de uma natureza-morta, que a obra de Pedro Varela também se coloca.

Felipe Scovino, 31 de Janeiro de 2012

Página do evento no facebook
https://www.facebook.com/events/162120373899928/

Tropical (projeto foyer)

Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro
Abertura dia 11 de Fevereiro das 16 às 19h.
Até 15 de Abril de 2012

Av Infante Dom Henrique 85
Parque do Flamengo
Rio de Janeiro
Brasil
20021-140
http://www.mamrio.org.br/

VIP Art Fair 2012 – February 3 – 8, 2012

AGC_VIP.jpg

Pedro Varela_acrylic on canvas_2012
Untitled, acrylic on board/ Sem título, acrílica sobre tela, 100 x 150 cm. 2012

Hello everybody,

I’ll show some new works with a Gentil Carioca Gallery at VIP Art Fair 2.0, the online art fair. The fair will be online between February 3-8 at http://www.vipartfair.com

Olá todos,
Vou mostrar alguns trabalhos novos com A Gentil Carioca Galeria na Vip Art Fair 2.0, a feira de arte online. A feira estará online entre 3 e 8 de Fevereiro no http://www.vipartfair.com

For more info/para mais informações
http://www.vipartfair.com


O Fim da Civilização! Vista da instalação

Pedro Varela_397

Vista da instalação no ateliê 397. Vinil e acrílica sobre parede e piso.
Installation view at Ateliê 397. Self adhesive vinyl on wall and floor.

Pedro Varela_397

Vista da instalação no ateliê 397. Vinil e acrílica sobre parede e piso.
Installation view at Ateliê 397. Self adhesive vinyl on wall and floor.

Pedro Varela_397

Vista da instalação no ateliê 397. Vinil e acrílica sobre parede e piso.
Installation view at Ateliê 397. Self adhesive vinyl on wall and floor.

Pedro Varela_397

Vista da instalação no ateliê 397. Vinil e acrílica sobre parede e piso.
Installation view at Ateliê 397. Self adhesive vinyl on wall and floor.

Pedro Varela_397

Vista da instalação no ateliê 397. Vinil e acrílica sobre parede e piso.
Installation view at Ateliê 397. Self adhesive vinyl on wall and floor.

Projeto Foyer 2012

Sem título (Guignardpolis), acrilica sobre tela, 2010-2011 (detalhe)

No inicio de 2012 farei uma individual no MAM RJ dentro do projeto Foyer, que apresentou em Janeiro deste ano uma individual do Daniel Lannes. Esta exposição será produzida pela Belvedere com apoio da galeria A Gentil Carioca, e para levantar os recursos destinados a produção alguns trabalhos foram selecionados e disponibilizados a venda na loja Arquivo Contemporâneo em Ipanema. A maior parte do valor de venda será destinado à produção da exposição, e em 2013 está previsto o lançamento de um livro sobre meu trabalho com texto de Felipe Scovino. Quem quiser saber mais sobre o projeto basta entrar em contato com a Belvedere: belvedere@belvedere.art.br

Sem título, vinil adesivo e acrilica sobre papel e parede. Vista da loja Arquivo Contemporaneo. Fotografia Jozias Benedicto.

O Fim da Civilização! Dia 10 de Dezembro no 397!

No próximo sábado, dia 10 de dezembro, tem festa aqui no Ateliê397 pra celebrar O Fim da Civilização!

Dessa vez o evento começa cedo, às 17h, na abertura do Projeto Corredor com intervenção do Pedro Varela, lançamento do novo site do Ateliê397, catálogo do Mauricio Adinolfi e da Revista de crítica Maré, seguido por um debate.

Às 21h começa a Sessão Corredor Enfrentamiento, com vídeos de artistas do Chile e curadoria do Espacio G.

E logo em seguida começamos a festejar O Fim da Civilização, com Stereleo no som, performance de Glamour Garcia e o coletivo Nós Moçada no bar.Venham!!

Art Basel Miami 1-4 /12/2011

This year I’ll participate in Art Basel Miami Beach with A Gentil Carioca Gallery at the booth J12. I’ll show a new work from my new series of blue paintings.

Art Basel Miami Beach:
Miami Beach Convention Center
From Thursday, December 1 to Sunday, December 4, 2011
Daily from noon to 8pm, Sunday until 6pm

For more informations: http://www.artbaselmiamibeach.com

Installation view

Untitled, acrylic on canvas, 198 x 198 cm. 2011.

Tela em transe – Istoé 23 Novembro de 2011

Istoe ainda viva

http://www.istoe.com.br/reportagens/177541_TELA+EM+TRANSE

Desde o surgimento da fotografia no séc. XIX, a morte da pintura já foi anunciada um sem-número de vezes. De certo, a pintura não morreu e não foi modificada apenas pela prática fotográfica, mas também pela mudança do foco pictórico. O modernismo trouxe as expressões abstratas, as fusões surrealistas e o minimalismo geométrico, atropelando a figuração realista, mas traduzindo de maneira precisa a complexidade do fazer artístico. Hoje, no trabalho de jovens pintores, todas as crises da pintura vêm contribuir para uma permanente reinvenção dessa técnica. “Ainda viva”, série recente do carioca Pedro Varela, é uma brincadeira com essas centenas de mortes anunciadas da pintura. “Ao mesmo tempo, esse título evidencia o caráter fantasioso das minhas paisagens”, diz Varela, que faz uma tradução literal do termo em inglês still life, também conhecido como natureza morta – um dos gêneros mais praticados na história da pintura.

Nas dez telas expostas na Zipper, o artista dá preferência a figuras de flores e florestas em detrimento das cidades imaginárias que estamparam suas séries anteriores. Mas o aparecimento da figuração vegetal não se dá somente como menção ao gênero quase esquecido das naturezas mortas, mas também como referência às ilustrações científicas dos naturalistas do século XIX. Aqui, uma ironia: a precisão técnica está a serviço da ordem fantástica das criações de Varela. Os poucos edifícos e referências urbanas que aparecem nas novas pinturas possuem uma composição rítmica tão orgânica quanto as plantas imaginárias. “As cidades ainda aparecem, mas com menos intensidade. Introduzi as florestas que, de certa forma, já apareciam na minha obra através da influência da arte oriental”, comenta o artista. Se o que de fato morreu foi a obrigação da pintura para com o real, o artista esteve muito livre para dar vazão às suas próprias paisagens.

Nina Gazire

B&S#1: Fly Me to The Moon

Aí vão algumas imagens da revista B&S#1, projeto de Lisa Klinkenberg, que me convidou para participar desta primeira edição da revista com o tema Fly Me to The Moon. Também participam desta edição Max Volk e Michael Andreas.  A tiragem é de 500 exemplares e ela custa 6.00 €.

Para mais imagens e informações:
http://verlag.khm.de/aktuell/publ/9_bs1_fly_me_to_the_moon/

Para comprar: verlag@khm.de

Nova Escultura Brasileira

De 14 de Novembro a 1º de Janeiro de 2012, a Caixa Cultural Rio recebe a maior exposição sobre escultura contemporânea já realizada no país, apresentando 85 artistas e mostrando um painel da Nova Escultura Brasileira, com ênfase na diversidade de propostas e materiais, que possam dialogar com aspectos de continuidade e ruptura na trajetória da escultura brasileira á partir de suas tradições, num recorte da produção recente , incluindo 75 artistas que consolidaram suas carreiras nos últimos 15 anos e um núcleo histórico com artistas representantes das últimas décadas.

De acordo com o curador Alexandre Murucci, “a escolha dos artistas na mostra, está calcada principalmente nas questões de posicionamento destes novos caminhos estéticos, na dinâmica de inserção de nossa escultura num processo de consolidação da arte brasileira no mundo, na maturidade do percurso de cada artista e na excelência dos trabalhos aqui escolhidos, para que se possa mostrar  a diversidade da escultura brasileira hoje.”

Caixa Cultural – Rio de Janeiro
visitação: 14 de novembro a 1º de janeiro
terça a sábado: 10 > 22hs
domingos: 10 > 21hs

Ainda Viva pics

Vistas da expo Ainda Viva, na Zipper Galeria. A exposição fica até o dia 26 de novembro.
Fotografias de Guilherme Gomes.


Pedro varela,ainda viva,pintura,painting

Pedro varela,ainda viva,pintura,painting

Pedro varela,ainda viva,pintura,painting

Pedro varela,ainda viva,pintura,painting

Pedro varela,ainda viva,pintura,painting

Pedro varela,ainda viva,pintura,painting

Ainda viva,acrylic,canvas,pedro varela
S
em título, acrilica sobre tela, 201 x 184 cm. 2011.

pedro varela,painting,ainda viva
Ainda Viva, acrilica sobre tela, 204 x 199 cm. 2011

Pedro varela,ainda viva,acrilica
Ainda Viva, acrilica sobre tela, 204 x 199 cm. 2011 (detalhe)

Pedro Varela,painting,pintura,city,cidade
Sem título, acrílica sobre tela, 155 x 215 cm. 2011.

Sem título, acrílica sobre tela, 152 x 185 cm. 2011. Foto: Guilherme Gomes
Sem título, acrílica sobre tela, 152 x 185 cm. 2011

Pedro Varela,painting,pintura,city,cidade
Sem título, acrílica sobre tela, 89 x 173 cm. 2011.

Pedro varela,caveira
Sem título, acrílica, caneta e colagem sobre papel, 96 x 156 cm. 2011

Pedro varela,ainda viva,acrilica
Sem título, acrílica, caneta e colagem sobre papel, 96 x 156 cm. 2011 (detalhe)

Pedro Varela,painting,pintura
A trail with no end in sight, acrílica sobre tela, 173 x 289 cm. 2011

Sem título, acrílica e caneta sobre papel, 96 x 150 cm. 2011
Sem título, acrílica e caneta sobre papel, 96 x 150 cm. 2011

pedro varela
Sem título, acrilica sobre tela, 57 x 80 cm. 2011

Pedro Varela
Sem título, acrilica sobre tela, 80 x 57 cm. 2011