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Nouvelle Indes, opening next saturday at 11Bis, Paris

Um outro lugar

Felipe Scovino


Foi curioso perceber que se no cenário das artes visuais brasileiras entre as décadas de 1950 e 1970 havia o que poderíamos nomear como compromissos estéticos, organizados em torno de exposições e manifestos, como foram os casos do Neoconcretismo e da Nova Figuração (grupo de artistas baseados no Rio de Janeiro nos anos 60, tais como Antonio Dias, Carlos Vergara e RubensGerchman, que exploraram novas possibilidades para a pintura e em muitos casos numa relação estreita com o ambiente político ditatorial que o país atravessava), na década mais recente a ideia de manifesto se perdeu, e se uma parcela da historiografia da arte e do jornalismo cultural identifica de forma equivocada que a passagem dos anos 1950 para os anos 60 na arte brasileira foi marcada singularmente pelas linguagens construtivas, e os anos 70 por uma forte influência da arte conceitual que atravessou aquela década, o que esses mesmos críticos diriam sobre a geração atual? Não há um paradigma, linguagem conceitual ou suporte que os conecte de forma tão óbvia como esses críticos entendem que a arte poderia ser. Se, nos anos 1950 e 60, as linguagens construtivas foram uma necessidade quase vital e ao mesmo tempo circunstancial para a emergência de uma linguagem contemporânea que permitisse explorar e viabilizar as inúmeras qualidades de obras que estavam sendo produzidas no país (das telas de Volpi aos AparelhosCinecromáticos, 1949, de Abraham Palatnik; do Balé Neoconcreto I, 1958, de Lygia Pape à Casa é o Corpo, 1968, de Lygia Clark), os artistas mais recentes permanecem com esse signo da diferença e da invenção das gerações anteriores ao mesmo tempo em que cada vezmais percebemos na produção deles um esvaziamento de sintomas de identidades nacionais, e a afirmação de experiências que anulam lugar, colocando-se como possibilidades de se refletir sobre o presente e evidenciando uma relação de forças complexa e contemporânea: o contexto da arte fora de um centro hegemônico. Para essa geração sem geração, não osinteressa o folclore ou exotismo justamente porque o que o espectador espera, pensa ou imagina do Brasil, está muito longe das experiências evocadas por suas obras. O tema local não está em nenhuma representação, forma ou imagem, justamente porque ele já se dissolveu no mundo.Esse “tema local” está nas estratégias de linguagem e nas articulações com o sistema da arte. E é aqui que a obra de Pedro Varela se situa: além de possuir uma condiçãokitsch (que não sabemos ao certo se levamos a sério ou seé ela, obra, que está rindo de nós), potencializada por um cinismo perspicaz, ela possui um componente histórico que realiza uma conexão entre a presença das pinturasholandesa e francesa quando o Brasil era colônia de Portugal (e especialmente a produção de gobelins no século XVII - que tiveram seus esboços produzidos por artistas holandeses como Albert Eckhout mas foram produzidos por artistas franceses – que “reproduziam” um Brasil fantasioso, habitado por zebras aladas, macacos em formas quase humanas, etc), e a visão ainda embaçada do Outro acerca das representações que o Brasil revela aoestrangeiro. Todas essas condições têm em comum o fato de serem invenções acerca de um lugar. Não necessariamente mentem, mas definitivamente constroem um espaço. Ao escolher a natureza-morta, algo tão comum no Brasil por “enfeitar” as paredes das casas mais populares às mais abastadas, e ao mesmo tempo ser algo que se confunde com a própria história da arte, e com a ideia de moderno, se nos detivermos ao exemplo de Cézanne, Varela chega a esse espaço de invenção de um outro lugar. Na sua obra, o “modelo tradicional” de natureza-morta é substituído por uma vegetação que habita uma zona fronteiriça entre fantasia e realidade. Num primeiro instante, apesar de reconhecermos algumas plantas, seja porque foram detalhes em pinturas históricas ou porque habitam o mundo, em um olhar mais atento começamos a duvidar se elas realmente existem. Varela a passa a incorporar a figura de um viajante no sentido de re(a)presentar o mundo de acordo com uma vontade política ou cultural, assim como aconteceu com os primórdios da história da arte no Brasil quando a paisagemda colônia foi “inventada” pelos artistas estrangeiros. Em recente texto sobre o artista, afirmava que Varela nos apresenta a cartografia de um mundo imaginário, como se em algum momento e de alguma forma aquele lugarpudesse realmente existir ao mesmo tempo em que colocávamos em dúvida o fato dos nossos olhos estaremnos enganando. Essa contradição – da aparição da forma – é explorada pela própria dificuldade histórica em se encontrar o pigmento azul. O mundo tropical de Varela de forma alguma corresponde ao Brasil tropical da Carmen Miranda - fabricado pela indústria cinematográfica americana na primeira metade do século passado e que acabou por dar início ao mito do brasileiro ao mesmo tempo cordial (com o coração bom) e malandro - porque ele é cínico, debochado, possui um humor negro fino e ardiloso. A tropicalidade de Varela não revela um lugar (estariam as naturezas-mortas no fundo do oceano? Um lugar por si mesmo cujas fronteiras se apagam) assim como a partir de uma ideia preconcebida sobre o que se pensa ou imagina do Brasil, o artista ironiza o mito que nos identifica(va) como o país quente e sensual. Isso também fica claro na tonalidade mais fria e impessoal que Varela adota nessas obras. Por fim é nesse lugar dúbio, que traça perversamente uma linha histórica com a pintura de viajantes no Brasil, que o artista questiona uma perpetuação de estereótipos acerca do Brasil e aponta umanova vertente para a mais nova produção de pintura no Brasil.

11bis: http://11bisparis.com/

Gigante por la propia naturaleza – de 31 de Maio a 17 de Julho

Pedro varela,colagem,IVAM,Gigantes pro su propia naturaleza

Dia 31 de Maio será a abertura da exposição Gigantes por su propia naturaleza, que acontecerá no IVAN (Instituto Valenciano de Arte Moderno), em Valencia, na Espanha. Participarei desta exposição com uma colagem de vinil adesivo. Logo postarei imagens!

Segue abaixo um texto sobre a exposição.

Esta muestra reflexionará sobre el arte actual en Brasil, tomando como punto de referencia el “corazón” dada su analogía con la orografía de Brasil, por su color rojo como expresión de su intensidad, y por un sentido físico generador de vida, como idea del impulso de la creación de los artistas nuevos. De ahí que la exposición muestre los rasgos más distintivos del Brasil actual: fuerza, poder, política, situación social, fútbol y carnaval.

Porque en Brasil, como en el carnaval, todo se transforma. El carnaval es la viva imagen de la fiesta gigante de la alegría. La alegría en Brasil lo inunda todo y, por supuesto, todas sus manifestaciones artísticas. Un arte lleno de musicalidad, como las piezas de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Noel Rosa o Sergio Mendes. El rojo representa la intensidad, la energía y el vigor de unos artistas que, incluso en el periodo negro de la historia reciente de Brasil, utilizaron preponderantemente este color en la mayoría de sus piezas artísticas.

Brasil, pues, representa un gran corazón, un gran cuerpo humano, con la Amazonía como el pulmón del mundo. Corazón de un país que, como la sangre que circula por el cuerpo, bombea un ritmo creador mestizo y tal y como se refleja en la obra de Emmanuel Nassar, Lygia Pape, Hilal Sami Hilal, Adriana Varejão, Rosa Magalhães, Arthur Bispo do Rosario, Beatriz Milhares, Ernesto Neto, Volpi, Guignard, Ana María Maiolino entre otros.

http://www.ivam.es/info

http://www.ivam.es/exposiciones/2858-gigante-por-la-propia-naturaleza

HORARIO
Martes a Domingo, 10:00 – 20:00
Lunes cerrado

Para más información:
IVAM Instituto Valenciano de Arte Moderno

Guillem de Castro, 118
46003 Valencia
Tel: 96 386 30 00